sábado, 10 de julho de 2010

DEPOIS NÃO RECLAME DA COLHEITA....SEMEOU...COLHEU!

Maledicência


Existem pecados que atingem, ferem e fazem mal não só ao que o comete, mas também a outros próximos.

Um destes pecados é o escândalo, que Jesus advertiu dizendo: “Ai do que fizer tropeçar um destes pequeninos,”(Mt 18:6).

Outro é a fofoca, que é pior do que o escândalo pelo fato de não ser um pecado apenas, mas um conjunto de vários pecados, como falso testemunho, maledicência, difamação, injúria, mentira, calúnia, malícia e intriga.

Uma única fofoca pode ter todos estes ingredientes nocivos, atingindo quem ouve, fala e quem espalha a fofoca.

Veja o que um único e pequeno boato pode conter:

Mentira: afirmação contrária à verdade, engano propositado.

Falso testemunho: fazer afirmação falsa, negar ou calar a verdade.

Maledicência: ato de falar mal das pessoas, murmuração.

Difamação: Ofensa à reputação, à moral, provocando o descrédito.

Injúria: atribuir a alguém uma qualidade negativa, que ofenda sua honra.

Calúnia: acusação falsa, atribuir falsamente a autoria de um crime.

Malícia: inclinação ou vocação para ver ou praticar o mal; suspeitar o mal.

Intriga: maquinação para obter qualquer vantagem ou prejudicar alguém.

A fofoca pode ser entendida como uma história geralmente danosa e prejudicial por ser inverídica.

E é um mal antigo.

Muitos reis, autoridades e até religiosos se utilizaram dela para causar estragos na vida de seus inimigos, espalhando boatos de que alguém estava conspirando contra o governo, alguém ou algum grupo pusera fogo na cidade, alguém disse que destruiria o templo, etc.

No meio empresarial os boatos também causaram e causam prejuízo a alguns e lucro pra outros, valorização de algumas empresas e queda ou alta das ações da bolsa de valores, entre outros.

O ser humano parece ser inclinado à fofoca.

A indústria da fofoca é uma das mais rentáveis em nossos dias, enchendo as bancas de jornais com revistas especializadas em falar ou cogitar da vida alheia, além de inúmeros sites na internet especulando sobre a intimidade de pessoas famosas.

O sucesso e a alta audiência dos programas tipo “Big Brother”, mostram o desejo, a compulsão, o fascínio pela bisbilhotice, a inclinação por observar a intimidade de outros indivíduos.

Mas o que a bíblia diz sobre o tema?

Lembre-se que entre os dez mandamentos está o ”não dirás falso testemunho contra o teu próximo.”(Ex 20:16), indicando que este pecado está no mesmo nível do roubar, adulterar, cobiçar, etc.

Se você descumpre um mandamento, é como se não observasse nenhum deles.

Muitos cristãos se preocupam com outros pecados sem atentarem para o que sai de sua boca. “Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a sua língua...a sua religião é vã.”(Tiago 1:26).

Deus também adverte: “Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo.”(Lev 19:16).

A maledicência é tão grave e nociva que, como disse, fere o caluniado, contamina quem ouve e quem fala.

Algumas palavras ferem mais que uma facada ou um tiro de revólver.

As feridas causadas pelas palavras podem durar a vida inteira, sem serem cicatrizadas.

Afeta o emocional, fere a dignidade e o caráter da pessoa.

Cria uma imagem irreal e mentirosa daquele que é o alvo da intriga.

É como um tribunal corrupto onde o réu é acusado e condenado mesmo estando ausente, sem direito a defesa, sem contestação, sem misericórdia.

É claro que se este mal é repulsivo até pela sociedade, quanto mais para Deus. “O que ás ocultas calunia o próximo, a este destruirei...”(Salmos 101:5).

“Senhor, quem habitará no Teu santuário?

Quem há de morar no Teu santo monte?...o que não difama com sua língua, não faz mal ao próximo, nem lança injúria contra o seu vizinho.”(Sl 15:1,3).

“O caluniador não permanecerá na terra...”(Sl 140:11).

Psicólogos e estudiosos admitem que o que vemos ou identificamos com facilidade nos outros é o que existe em abundância em nós.

O mal que vemos em outrem é algo do mal que mora em nosso coração.

Por isso, as pessoas virtuosas, de sentimentos nobres, são incapazes de enxergar maldade no próximo.

“A lâmpada do corpo são os olhos. Se teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz. Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!.”(Mt 6:22,23).

O fato é que não existe meia-verdade.

A verdade é absoluta.

Aquilo que não pode ser provado em absoluto continua sendo uma mentira até que todos os fatos sejam apurados, atestados, confirmados.

Nem tudo o que se ouve ou se vê pode ser atestado como verdade.

Daí a necessidade de cautela com qualquer afirmação do tipo:”eu acho” ou “eu ouvi dizer”.

“De toda palavra ociosa que os homens proferirem, hão de dar conta no dia do Juízo”(Mt12:36).

Até algo que vemos deve ser avalizado antes de tudo. Jesus ensinou:

“Se teu irmão pecar, vai repreendê-lo entre tu e ele só. Se ele te ouvir, salvaste a teu irmão.”(Mt 18:15).

Jesus assim mostra que devemos conversar com a pessoa em suspeita, e não com outros, com o fim de ajudá-la, salvá-la.

Espalhar a notícia lançará a pessoa ainda mais na cova sem antes apurar o ocorrido com ela mesma, buscando a verdade.

“Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de mansidão; olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado.”(Gl 6:1).

“O homem perverso espalha contendas, e o difamador separa os maiores amigos.”(Pv 16;28).

“Sem lenha o fogo se apaga, e não havendo maldizente, cessa a contenda.”(Pv 26:20).

“Seis coisas o Senhor aborrece, e a sétima a Sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos.”(Pv 6:16-19).

“...a boca perversa, Eu a aborreço.”(Pv 8:13).

“não te metas com quem muito abre seus lábios.”(Pv 20:19).

No Novo Testamento há um exemplo prático de alguém que preferiu encobrir um fato que afetou sua vida e de seu mais próximo, sua esposa.

José ao ver Maria com todos os sintomas de gravidez não ousou agredi-la nem condená-la, muito menos repudiá-la, mas ocultou o fato pra não difamar Maria.

“mas seu esposo, José, sendo justo e não a querendo infamar, deixou-a secretamente.”(Mateus 1:19).

Repare no verbo “INFAMAR”, que significa desonrar, difamar, desacreditar.

Ele sabia que se publicasse o ocorrido não iria resolver a questão, pelo contrário, pois o justo pensa em salvar e não em condenar alguém.

Só depois que o anjo lhe comunicou a verdade é que José retornou para sua esposa.

Outros textos no Novo Testamento:

“Não difamem a ninguém...”(Tito 3:2).

“Evita igualmente os falatórios inúteis e profanos, pois os que deles se utilizam passarão a impiedade ainda maior.”(IITm 2:16).

“Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim a que for boa para edificação...”(Ef 4:29).

“Mas agora, despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca.
Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos...”(Cl 3:8).

“Mas evita os falatórios profanos, porque produzirão maior impiedade. E a palavra desses roerá como gangrena.”(IITm 2:16,17).

Não podemos deixar de citar o Apóstolo Tiago que atribuiu grande importância ao assunto ao escrever em sua carta, no capítulo 3, sobre os perigos da língua.

“Assim também a língua é um pequeno membro, e se gaba de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia. A língua também é um fogo; como mundo de iniqüidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno.”(Tg 3:5,6).

“Com a língua bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procede bênção e maldição.

Meus irmãos, não convém que isto se faça assim. Porventura deita alguma fonte de um mesmo manancial água doce e água amargosa?”(Tg 3:9-11).

Concluímos então que a fofoca é um mal que tem passado despercebido pelos grupos sociais, principalmente igrejas.

Mesmo a Bíblia sendo tão rica em textos que se referem ao assunto, cristãos ignoram a gravidade e o perigo das conversas que “para nada aproveitam”.

O cristão maldizente, ou não lê a Bíblia, ou não é cristão, ou é viciado na maledicência e não consegue dominar esta compulsão carnal, pelo contrário, sente prazer em cogitar a respeito da vida alheia e em suspeitar o mal nos outros.

É preciso mudar, porque: “Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e perdoar-vos-ão.”(Lc 6:37).

“Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado.”(Mt 12:37)

“Nem ainda no teu pensamento amaldiçoes ao rei, nem tampouco no mais interior do teu quarto amaldiçoes ao rico; porque as aves dos céus levariam tua voz, e os que têm asas dariam notícia das tuas palavras.” (Ecl 10:20).

E. Santana (Autor)

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