sexta-feira, 3 de junho de 2011

Bancada Evangélica na berlinda?

Pela segunda vez Dilma dá um bom tombo nos evangélicos.

Quando candidata, Dilma cedeu aos evangélicos sobre a questão da legalização do aborto.

Ela disse que não iria pautar tal assunto e, assim, quebrou a resistência dos pastores que, com isso, acabaram deixando José Serra na mão.

Ora, Dilma prometeu aquilo que ela já faria mesmo, pois a questão da legalização do aborto não precisa ser mandada ao Congresso pelo Executivo, pode ser pautada por qualquer partido ou grupo, inclusive o PT.

Certamente é o que vai ocorrer num futuro próximo.

Agora, algo semelhante se repete.

Trata-se do golpe de Dilma na bancada evangélica a respeito do material do MEC contra a homofobia.

Dilma cedeu dizendo que o governo não vai influenciar a vida privada de ninguém e, assim, não distribuirá o material do MEC nas escolas médias do Brasil.

Fez a vontade da bancada evangélica.

No entanto, o governo já havia comprado o material e, soltando-o na NET (“vazou, ué?”), fez todo jovem querer assisti-lo ao dizer que se trata de algo “proibido”.

Mandado às escolas, os vídeos – bons, mas chatinhos – não iriam ser vistos com a curiosidade que estão sendo acessados agora.

Não há jovem que não o tenha procurado no Youtube. É sucesso total.

Parece que Dilma já percebeu o óbvio: a oposição está despedaçada e, para governar, basta controlar a inflação sem deixar despencar a nossa capacidade de consumo.

Uma vez tocando o país assim, as questões ético-morais ou, como a impressa gosta de dizer, “ideológicas”, podem sempre ser tratadas desse modo.

Ou seja, Dilma pode satisfazer as ongs, que querem dinheiro para produzir materiais afinados com o que seria característico do PT, pode também agradar os intelectuais sinceros que querem ver o governo colaborando com causas “progressistas”, e, ao mesmo tempo, não precisa criar oposições momentâneas que a tirariam da meta que ela se colocou como presidente: eliminar a miséria no país.

Dilma veio de uma esquerda que acreditava quase que religiosamente em “missão histórica” e é segundo essa aura que ela age cotidianamente. Para ela, o trabalho duro, no dia-a-dia, em favor de uma meta de desenvolvimento parcial, é mais importante que qualquer outra coisa.

Alguns dirão que Dilma cedeu aos evangélicos de medo de uma retaliação destes no “caso Palocci”. Sim, Dilma está com essa batata quente nas mãos.

Mas ela já jogou o problema para Lula que, enfim, já que se salvou de coisa pior, que foi a crise do “mensalão”, então que vá a público defender Palocci, coisa que ela mesma, Dilma, não fez e vai tentar não fazer.

Agora, o caso certo mesmo é que Dilma não cedeu aos evangélicos por causa disso. Os evangélicos tem telhado de vidro não menor que o de Palocci, e Dilma saberia dar uma cacetada neles.

Dilma cedeu porque ela cederia, existindo ou não Palocci.

Dilma aprendeu com Brizola e com Lula que a governabilidade se faz com política, e a política nunca esteve tão fácil de ser feita como agora, com uma oposição desse tipo.

Dilma viu perfeitamente que o problema dela não é o PSDB.

O problema que ela enfrenta, agora, é até mais fácil que derrubar o PSDB que, enfim, está todo esfacelado.

O que ela precisa fazer é não descontentar os técnicos e militantes que estão com ela, e que adoram colocar em prática materiais novos na praça, por razões ideológicas e, é claro, financeira.

Ela sabe que esse pessoal, uma vez tendo sido pagos, não vão reclamar, vão ficar contente com a solução do “vazamento na net”.

De resto, sobra enganar os evangélicos, que já se mostraram não ter nenhuma inteligência diante da presidente.

Isso é visível: até os intelectuais que funcionam segundo as ordens dos conservadores, aplaudiram Dilma e não viram que caíram num armadilha.

Por exemplo, o professor Pondé, sempre pronto para aplaudir teses conservadoras, caiu como um patinho na trama de Dilma.

Saiu aplaudindo a presidente igual e até de modo mais ingênuo que os deputados evangélicos. Caso Dilma tenha assistido esse tipo de professor na TV, creio que riu muito.

Também a Rede Globo tomou um tombo de Dilma.

Comemorou a decisão da presidente e repassou os vídeos contra a homofobia nos seus programas jornalísticos, fazendo de graça uma propaganda para o MEC que, enfim, seria paga a peso de ouro caso o governo tivesse de comprar o horário.

Dilma não fez isso maquiavelicamente desde o início.

Mas, a partir de um determinado momento, ela passou a agir, sim, de caso pensado.

E funcionou de modo igual ao que havia feito em campanha.

A presidente tem porte de gaúcho bravo, mas ela nasceu em Minas Gerais.

Nem Tancredo comeria a esquerda e a direita pelas beiradinhas com tanto estilo, eficácia e … gosto.

Sim, gosto.

Dilma pegou gosto em brincar com esse pessoal, e faz deles gato e sapato.

© Paulo Ghiraldelli Jr. , filósoso, escritor e professor da UFRRJ

5 comentários:

  1. cade o senhor manoel ferreira ?

    esta ocupado demais ne , ele prometeu que nada disso aocnteceria!


    VERGONHA

    chantagem para trocar o paloci pelo kit gay!


    que evangelicos sao esses ? sao de dar vergonha nos homens de deus fundadores da obra no brasil!

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  2. Duro de ler, mas realista.

    Abraços amigo!

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  3. e por esse motivo que prefiro votar num espirita declarado ou num padre ou ate mesmo num ate pois sei o que esperar deles do que nessa cambada de supostos evangelicos que nao hornam as calças que vestem


    imagio o que joaoa batista falaria dessa cambada


    raça de v......................!

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  4. a igreja tem que ser a diferença salvando almas


    salvando almas serao menos miseraceis, menos beberroes, menos viciados, menos prostitutos
    serao mais pais de familia, mais familias mais tudo de bom


    a igreja do senhor todas as vezes na historia da humanidade que se envolveu no seio politico teve derrotas terriveis, a historia do c ristianismo esta ai desde constantito o cara que desgraçou o cristianismo tornando a religia oficial do imperio !

    examinem!

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  5. Achei interessante a linha de raciocínio apresentada no texto. No entanto, o imaginário do autor foi longe demais em alguns aspectos. Inicialmente o que ví de negativo do acordo dos evangélicos com a presidenta foi a barganha. Entendo que tão imoral quanto o KIT é caso Palocci, ou seja, precisa ser investigado e esclarecido. O fato do material ter sido mostrado na TV e estar disponível na "NET" é muito relativo. Se fosse implantado nas escolas, a única maneira de impedir que meus não tivessem contato seria tirá-los da sala de aula.

    De toda forma a crítica pode vista como positiva.

    Edson Leite

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