quinta-feira, 16 de abril de 2009

Comunidade do Santo Evento?

Comunidade do Santo Evento!

 

(Quem é o autor?)

 

Não se trata de confusão; não foi por engano que troquei “Santo Advento” por Santo Evento.

Foi proposital.

Basta notar o que acontece a sua volta.

Basta querer ver.

Fica fácil notar como cresce o número das igrejas que poderiam perfeitamente adotar este nome.

E sempre há uma perto de você!

Óbvio que não estou falando de todas, e nem tampouco generalizando.

Mas que elas existem, existem...

Ah, se existem...

Mas alto lá! Antes que você me tenha por maluco, preciso definir algumas coisas bastante importantes:

- Estou falando de eventos mesmo, de programações, de atrações promovidas pela igreja, de encontros;

- Nada contra eles.

Eles são necessários e úteis.

São boas estratégias para fazer com que gente chegue para ouvir a mensagem que precisa ouvir.

São bons, apropriados e altamente eficazes quando usados na medida certa;

- Mas tudo contra tê-los como centro de tudo.

Tudo contra tê-los em absurdo exagero.

Tudo contra alicerçar a vida da igreja neste tipo de coisa!

Então, enfim, o que caracteriza as chamadas “igrejas do Santo Evento”?

Ora, não o evento (ou os eventos) em si, mas a grande e descabida incidência deles.

A importância que se lhes dá em detrimento a coisas mais importantes e duradouras, ainda que trabalhosas e pouco imediatas.

A aparente sensação de que a vida da igreja acontece ao redor de encontros, programações, festas do sorvete, festas da pipoca, acampamentos, acampadentros, almoços, jantares, chás, enfim, muvucas e agitação.

E a “dependência química” que se cria na seqüência deles, pois mal acaba um lá precisa vir outro.

Todo evento tem de terminar com os avisos a respeito dos próximos.

A peteca não pode cair; não se pode perder o embalo.

Outra coisa que as caracteriza?

Experimente tirar os eventos e veja a total pasmaceira que resta.

A igreja parece outra durante férias, feriadões, “entressafras”.

Enquanto há agitação, parece que a comunidade ‘transpira vida’.

Quando eles se vão, fica um gosto estranho...

Será que ‘a vida’ vai embora junto? 

Muito fácil fazer com que a moçada se reúna.

Promova um show gospel com uma banda das boas.

Promova encontros entre igrejas da região (pra que “eles” e “elas” conheçam gente nova, ora).

Ah, e no final faça um estudo bíblico curto.

Garantia de sucesso!

Ah, sei...

O seminarista quer começar a fazer discipulado com os jovens?

Uma hora por semana em torno da Bíblia, orando, semana após semana, por meses?

E ainda confronta a vida dos carinhas com as verdades bíblicas?

Ora, onde esse idealista está com a cabeça?

Quer envolver os homens da igreja?

Promova encontros de networking.

Homem adora isso – trocar cartões de visita (não sabe nem pra quê, mas vai que um dia, quem sabe), falar sobre negócios enquanto belisca uns salgadinhos.

Só não entre nos assuntos chatos.

Não fale de fidelidade, de ética nos negócios, de lisura fiscal.

Seja “diplomático”.

Leve tudo em banho-maria.

O pessoal da sua igreja gosta da tradição?

Convide corais para cantar.

Ah, é o contrário?

Convide bandas, grupos, pastores para falar.

Não deixe a peteca cair.

Igrejas assim dependem mesmo da peteca no ar.

Porque elas só vivem de olhar para a peteca, para o evento.

Ai, ai, ai se a peteca cair...

Mas um dia a peteca cai.

E não é só a da igreja que cai, mas a peteca das pessoas também cai, e sempre – a qualquer momento - há alguém com a sua caída.

Nessas horas, o que fazer?

Marcar mais eventos?

Nessas horas quanto vale o evento, a agitação, a muvuca?

Nada!

 Pessoa volta e meia se entristecem, se deprimem, perdem emprego, brigam em casa, ficam sem dinheiro, ficam doentes.

Não só, mas também nessas horas precisam de pastoreio, de ensino, de transformação de vidas.

E quanto mais disso houver na igreja, mais forte ela é para enfrentar crises, dificuldades, pauladas.

Igreja são fortes na medida em que as pessoas que as formam são fortes em sua vida cristã.

E como ter uma igreja forte?

Priorizando o que realmente importa: fazer discípulos ensiná-los a guardar todas as coisas que Jesus nos ensinou a guardar, enquanto usufruímos da presença do Espírito de Deus em nós, que prometeu estar e está conosco até o fim do “projeto-igreja”.

Enfim, priorizar as coisas demoradas, as coisas nada imediatas.

Enfim, ser missão, ser igreja.

Priorizar discipulados transformadores.

 Passar longe da definição de “agência promotora de eventos”.

A vida de uma igreja saudável se faz notar principalmente na hora das crises.

Basta ver como as pessoas as enfrentam.

 Igreja onde há vida daquele tipo, abundante, é estável, firme, consciente.

Seu ânimo não entra em férias, pois se baseia no dia a dia com Cristo, não numa efêmera “peteca”  lançada ao ar por esforço humano.

A igreja de verdade é.

A igreja do evento foi ou será, pois sempre depende de ‘como foi’ o último e ‘como será’ o próximo evento.

Não transforme sua igreja numa agência promotora de eventos.

A vítima pode ser você, ou sua esposa, seu filho, sua filha, seu amigo, seu irmão...

4 comentários:

  1. prezamado pr. Daniel Acioli,

    A Paz do Senhor!

    Maravilhosa pregação!

    O povo necessita de pastores, que promovam o Grande Evento do Arrebatamento, que já está às portas. mas, a incredulidade e a falta de dedicaão, não permitem ao espírito destes, a alegria da promessa verdadeira para as nossas vidas, e vivem pregando que possímos muitas promessas e devemos "declarar", que se devolva o que nos pertence. Pura hipocrisia!

    O que já nos pertence, está onde a traça e nem a ferrugem, podem dominar e destruir.

    Graças a Deus, por esta palavra de fé, e de profunda orientação aos desavisados e festeiros e os donos das petecas.

    O Senhor seja contigo!

    pr. Newton Carpintero
    www.pastornewton.com

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  2. Caro reverendo Daniel Acioli

    Já estou em Vitória (ES) e acabei de apreciar o seu post. Só posso parabenizá-lo pela perspicácia com que trouxe este assunto e como ele provocou interessante reflexão.Como líder de igreja, ninguém melhor para falar sobre o tema.

    Em resposta a um dos comentários da última postagem de meu blog, fiz uma citação da obra "Reflexos da Globalização sobre a Igreja", onde o autor diagnostica a situação hoje enfrentada: "Veja o que acontece com a liturgia: uns só admitem cânticos, desde que acompanhados pelo orgão ou piano; outros, criticam essa 'monotonia' e são partidários fervorosos da bateria, guitarra e contrabaixo; alguns só admitem a banda; já outro grupo acha que o mais adequado é a orquestra, e a coisa vai por aí afora..."

    O autor fala ainda sobre "pluralidade" e diz que o "problema maior ainda não é esse [as várias opções de escolha]. Na verdade, cristãos que utilizam da prerrogativa pluralista de maneira inadequada são exatamente aqueles que fazem parte da chamada 'igreja oscilante'. Hoje estão aqui, porque estará falando o pregador carismático fulano de tal; amanhã estarão na igreja 'X', porque haverá 'uma manhã de louvor incrível' e o cantor tal estará se apresentando; no domingo seguinte estarão na comunidade 'Y', porque haverá a 'noite de revelações' e assim, a lista de opções vai ficando infindável, de acordo com os gostos e predisposições de cada um" (p.54).

    Lamentavelmente, este tipo de igreja que não possui "vida própria" e vive de "evento", revela algo sintomático. Demonstra, entre outras coisas, que existe uma preocupação exacerbada em "manter" o povo em clima de festa, para que ele não vá para as igrejas neopentecostais. Entretanto, tal filosofia acaba por contribuir com o recrudescimento do processo de banalização do sagrado. Ele alimenta a necessidade de "novas experiências" (que em sua maioria não resultam em transformação de caráter) que acabam sendo acriticamente reproduzidas e, pior, tornam-se paradigmas e padrões de aferição para "medir" a espiritualidade dos outros. E ai de quem ousar questionar! Entretanto, fico com o que dizia o saudoso pastor Epaminondas José das Neves: "O que segura ovelha não é cerca, mas pasto".

    Já cansei de ter problemas com festividades (e quem realmente leva a sério o pastorado de uma igreja sabe do que estou falando), pois leva muito tempo para se ensinar o povo determinados princípios bíblicos que, algumas vezes, são jogados fora nos primeiros cinco minutos da introdução de algumas mensagens de pregadores de festa.

    Um outro problema seríssimo que este sistema de organização provoca, é que sem haver um ensino sistemático e progressivo da Palavra, falta ao povo a formação de uma cosmovisão bíblica, o que consequentemente resulta em uma igreja sem identidade.

    Encerro minha participação reiterando meus cumprimentos pela arguta abordagem e rogando que o Senhor da Seara nos ajude a continuar vivendo o verdadeiro Evangelho que deve ser suficiente para nossa edificação espiritual.

    Amplexos

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  3. Pr.Daniel... Paz do Senhor!!!
    Obrigada, pelo lindo post... Veio em um momento que estava buscando entendimento na palavra de Deus e ainda estou...
    Pertenço a uma denominação três anos,aceitei a Jesus...Como meu único Senhor e Salvador,tive o batismo nas águas... Amém!!!
    Fui criada na tradição "católica", porém só com 55 anos é que estou conhecendo nosso Deus, em nome de Jesus. Tenho sede da palavra e procuro entendimento, nos cultos, estudos e amo ser a nova criatura.
    Mas... Se for possível me esclareça por favor... Eu e meu marido fomos convidados para uma palestra de casais,após terá um jantar.Até ai eu achei uma benção. Já tinhamos ido em outros também. Minha pergunta: A palestra será dentro do Templo... Só que o jantar também será dentro do Templo, hoje 20,00 horas.Meu coração ficou aflito e lembrei da passagem na Biblia em Jó 2, 13-22. Talvez não consiga expressar como gostaria... Como entender que o lugar que oro, clamo, peço perdão, recebo benção,louvores..
    Possa mesmo tendo espaço... Promover jantares, buffet de frutas, etc... Na Casa preparada para louvar o Senhor!!!
    Onde buscar na palavra, entendimento.
    Desculpas pelo texto.. Mas como um homem de Deus, o Senhor entenderá o que busco.
    Deus abençoe sua vida na Paz do Senhor.
    Carinho.
    VERA.

    ResponderExcluir
  4. Pr.Daniel... Paz do Senhor!!!
    Obrigada, pelo lindo post... Veio em um momento que estava buscando entendimento na palavra de Deus e ainda estou...
    Pertenço a uma denominação três anos,aceitei a Jesus...Como meu único Senhor e Salvador,tive o batismo nas águas... Amém!!!
    Fui criada na tradição "católica", porém só com 55 anos é que estou conhecendo nosso Deus, em nome de Jesus. Tenho sede da palavra e procuro entendimento, nos cultos, estudos e amo ser a nova criatura.
    Mas... Se for possível me esclareça por favor... Eu e meu marido fomos convidados para uma palestra de casais,após terá um jantar.Até ai eu achei uma benção. Já tinhamos ido em outros também. Minha pergunta: A palestra será dentro do Templo... Só que o jantar também será dentro do Templo, hoje 20,00 horas.Meu coração ficou aflito e lembrei da passagem na Biblia em Jó 2, 13-22. Talvez não consiga expressar como gostaria... Como entender que o lugar que oro, clamo, peço perdão, recebo benção,louvores..
    Possa mesmo tendo espaço... Promover jantares, buffet de frutas, etc... Na Casa preparada para louvar o Senhor!!!
    Onde buscar na palavra, entendimento.
    Desculpas pelo texto.. Mas como um homem de Deus, o Senhor entenderá o que busco.
    Deus abençoe sua vida na Paz do Senhor.
    Carinho.
    VERA.

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