terça-feira, 19 de julho de 2011

ERA UMA VEZ UMA CIGARRA GOSPEL…

Derval Dasilio

Uma fábula fabulosa, como diria Millôr Fernandes, pode ser contada aqui, roubando a ideia de La Fontaine: “Era uma vez uma cigarra que aderiu à cultura ‘gospel’, reuniu-se a um grupo de jovens cigarras crentes, muito interessadas em dar um pouco mais de cor, de ritmo, de sonoridade nos cultos que frequentavam.

Onde se exibiam, tiravam tudo do altar para que seus instrumentos ficassem em evidência, inclusive caixas de som de alta sonoridade.

E reunidas, descobriram que era muito mais fácil importar um estilo bastante apreciado pelas cigarras do hemisfério norte, mais precisamente no país das maiores fantasias consumistas que já houve sobre o planeta.

Lá se vende de tudo, e até as pessoas, digo: cigarras são vendidas bem baratinho, em troca de bênçãos dos pastores e pastores das igrejas daquele lugar.

Só aos domingos, claro, porque ninguém é de ferro.

Inclusive os crentes.

E, então, compraram projetores de luz, máquina de fumaça de gelo, microfones de todos os tipos, instrumentos de percussão, baterias, guitarras, teclados.

Recursos variados… e descobriram que, na igreja onde animavam o louvorsão, o povo andava pensativo, cabeça baixa, nem podia orar tanto era o barulho das cigarras gospel.

Não se lia a Bíblia, porque os louvoristas tinham versículos chaves para todos os momentos do culto.

E, além do mais, as cigarras louvoristas faziam tudo, oravam, mandavam o povo baixar a cabeça para acompanhar sua prece ensaiada, e até diziam amém pelas cigarras assistentes.

Enquanto isso, na mesma floresta, uma formiga, também crente, trabalhava, todos os dias da semana, inclusive no domingo.

Liderava outras formigas da igreja, enquanto as estimulava a pensar no futuro da congregação: se não estava bom, agora, muito pior poderia acontecer ao povo local.

Então, a congregação se empenhava em serviços diaconais, provisionando a comunidade para futuros atendimentos.

E trabalhavam… trabalhavam… trabalhavam.

As dependências da igreja que frequentavam foram transformadas em armazéns de alimentos, ambulatórios médicos, rouparias, dormitórios.

Enfim, planejavam como um líder bíblico fizera no passado, José do Egito, distante, e o que fez foi uma bênção, tanto para a comunidade a quem servia, quanto para os seus irmãos que vieram lhe pedir socorro.

As formigas ouviam as histórias da Bíblia e meditavam.

Oravam agradecendo pelas bênçãos da saúde, da capacidade de trabalhar e sustentarem-se, de terem uma vida de forte comunhão com as demais, preocupadas com a salvação dos outros insetos e bichos da floresta.

Ouviam as pregações, entoavam hinos de louvor, intercediam pelas outras formigas e outros bichos, e saiam do culto para trabalhar.

Não se cansavam, porque sabiam das escatologias realizadas em outros tempos…

Um dia o céu se cobriu de nuvens negras, e ventos fortes dobravam as árvores da floresta.

Veio uma tempestade avassaladora, um dilúvio do tipo que o povo de Noé enfrentou em tempos primordiais.

As formigas, previamente treinadas para enfrentar situações adversas, correram rapidamente, o mais que podiam, para abrigar-se, juntamente com sua comunidade, no lugar que construíram devidamente providos dos recursos necessários para acolher e prover todos os que necessitassem.

As formigas vieram todas para a igreja/abrigo.

Logo, outros bichos, que ouviram sobre a comunidade laboriosa, foram pedir abrigo e ajuda.

E todos foram atendidos.

As cigarras, porém, sem previsão alguma sobre as dificuldades futuras, foram pegos de surpresa, seus instrumentos submergiram juntamente com o palco, com o altar gospel.

A enchente tomou tudo, e o templo foi inundado, raios e trovões substituíam a cantoria alta, e a comunidade, coitada, não tinha mais a quem recorrer.

Nem lugar para se abrigar, nem comida, nem leitos para repousar…

Bem, vamos terminando essa história, como se faz em todas as fábulas.

A moral da história, porém, fica com o leitor.

Era uma vez …

2 comentários:

  1. Excelente post, posso colocar no meu blog? Entendi a mensagem heheh, músico (segundo alguns na nossa sociedade preconceituosa, não gosta de orar, carregar a bíblia etc e tal), mas, isso não é regra. Abraços meu querido Pastor.

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  2. GOSTEI DA CRIATIVIDADE
    TAMBÉM POSSO COLOCAR NO MEU BLOG?
    QUE DEUS VOS ABENÇOE
    (PASSE NO MEU BLOG)

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